Moçambique de São Benedito de Lorena

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Biografia

O Moçambique de São Benedito de Lorena é uma manifestação cultural e religiosa afro-brasileira cujas raízes remontam ao século XIX, tendo chegado à cidade por meio das tradições preservadas nos municípios vizinhos de Cunha e Silveiras. Por volta do ano de 1959, José Viana, residente na cidade de Lorena, no bairro da Cruz, iniciou um grupo de Congada e Moçambique, ao qual se integraram, tempos depois, João Roque da Silva e Benedito José Barbosa. As tensões internas entre os fundadores — enquanto Viana priorizava uma atuação restrita à cidade, João Roque defendia a expansão da tradição, levando a fé, a cultura e os rituais do Moçambique para outras regiões — resultaram na fundação formal do grupo que conhecemos hoje. Fundado em 1981 pelos mestres João Roque e Benedito Barbosa, o grupo traça um caminho que mergulha nas tradições ancestrais e se entrelaça com a resistência dos pretos escravizados no Brasil, sendo transmitido de geração em geração por um grupo de famílias persistentes. Ao longo de mais de quatro décadas de existência, o grupo consolidou sua identidade própria — afirmando-se como uma prática autônoma, com organização, estética e ritualidade próprias, distinta da congada — e expandiu progressivamente sua atuação para além de Lorena, participando de festas de congadas em municípios paulistas e mineiros. Hoje o grupo é guiado pelo Mestre Bira, cuja sabedoria e dedicação mantêm viva a essência do grupo e enriquecem o tecido cultural da região, tendo como matriarca e mestra D. Guiomar Aparecida Pires da Silva, figura central na preservação da memória e na representação política da associação em instâncias estaduais e nacionais de promoção da igualdade racial.

Sua História

Raízes africanas e coloniais
A dança do Moçambique tem origem afro-brasileira e foi introduzida no Brasil por africanos provenientes da região de Moçambique, aqui se aculturando e incorporando elementos locais. Nascida durante o período colonial, chegou ao nosso tempo por meio da resistência cultural, tornando-se símbolo de religiosidade, pertencimento e luta pela dignidade do povo negro.

Século XIX — O Vale do Paraíba como berço
Durante o século XIX, uma das principais regiões de quilombos era Cunha-SP, mais especificamente o bairro de Campos Novos de Cunha, protegido naturalmente pela Serra da Bocaina. Grande parte dos grupos de Congadas e Moçambiques do Vale do Paraíba teve origem nos grupos formados naquela região, com um dos registros mais antigos datando de 1842.

Anos 1959–1980 — O grupo do Mestre José Viana
A história do Moçambique em Lorena começa com José Viana, residente no bairro da Cruz, que por volta de 1959 fundou um grupo de Congada e Moçambique. A ele se integraram João Roque da Silva e Benedito José Barbosa. Com o falecimento de Viana por volta de 1979, a liderança passou a Dona Olívia — irmã de João Roque —, evidenciando o papel central das mulheres na continuidade da tradição, mesmo quando esse papel permanecia nos bastidores.

1981 — Fundação do Moçambique de São Benedito de Lorena
Divergências sobre os rumos do grupo levaram João Roque da Silva e Benedito José Barbosa, acompanhados por Vicente Tropeiro, José Egídio e outros companheiros, a fundar em 1981 o Grupo de Moçambique de São Benedito de Lorena. O novo grupo nascia com uma missão clara: levar a fé em São Benedito para além das fronteiras de Lorena.

1981–2000 — Expansão e consolidação
Sob a liderança do Mestre João Roque, do Mestre Benedito Barbosa e de Dona Luiza Helena, o grupo ampliou significativamente seu alcance, tornando-se conhecido nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Foi também neste período que as mulheres passaram a dançar na linha dos bastões — decisão tomada quando, numa apresentação em Joanópolis na década de 1990, foram elas que salvaram o grupo diante da ausência de homens disponíveis. Uma abertura pioneira que transformou definitivamente a identidade do Moçambique.

2000 em diante — A liderança do Mestre Bira
Com o falecimento de João Roque e, posteriormente, de Benedito Barbosa, a liderança passou a Geraldo Ubirajara da Silva, o Mestre Bira — filho de João Roque, nascido em 1961, que cresceu entre bastões, tambores e fé. Ao lado de sua esposa e mestra Dona Guiomar Aparecida Pires da Silva — agraciada em 2024 com o Prêmio Ruth de Souza pelo Governo do Estado de São Paulo —, Mestre Bira conduziu o grupo a uma nova fase, ampliando o repertório com versos que reafirmam a ancestralidade afro-brasileira e abrindo o Moçambique a novas linguagens culturais sem abandonar suas raízes.

Hoje — Resistência, expansão e futuro
Com mais de quatro décadas de existência, o Moçambique de São Benedito de Lorena realiza oficinas em escolas públicas e universidades, integrou o curta-metragem GOTA, brilhou no Revelando SP 2025, levou seu nome à 5ª CONAPIR em Brasília e confirmou presença na Festa das Congadas de Lambari em maio de 2026. Como escrevemos no livro: "quem dança para o santo, não dança sozinho. Dança com os que vieram antes e com os que ainda virão."

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Informações
  • Nome: Moçambique de São Benedito de Lorena
  • Categoria: Dançarinos
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  • Membro desde: 31/03/2026
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